
Quantas cópias da sua chave andam por aí? O guia da chave de segurança e do cartão de propriedade
Faça o teste mentalmente: pegue na chave da porta de sua casa e pergunte-se quantas cópias dela existem no mundo. Se hesitou, é porque provavelmente não sabe. E se não sabe, é porque a sua chave é, muito possivelmente, do tipo que qualquer pessoa consegue mandar copiar num quiosque, num centro comercial ou numa loja de bairro, sem lhe pedir nada nem lhe dizer a si. Este artigo explica a diferença entre esse tipo de chave e uma chave de segurança patenteada, o que é o famoso cartão de propriedade, e como olhar para a sua chave e perceber em que grupo ela está.
Duas famílias de chaves, dois mundos diferentes
Por fora, as chaves parecem todas iguais: um pedaço de metal com recortes. A diferença que interessa não se vê logo, mas é enorme quando se trata de saber quem consegue fazer uma cópia.
- Chave comum, de cópia livre. É a esmagadora maioria das chaves que andam por aí. O perfil (a forma do metal) é standard e o blank, a chave em bruto por cortar, vende-se a qualquer pessoa. Qualquer máquina de duplicar a copia em dois minutos. Não há registo, não há autorização, não há pergunta. Quem tiver a chave na mão, uma vez que seja, faz as cópias que quiser.
- Chave de segurança patenteada, de perfil restrito. Aqui o perfil da chave está protegido por patente e o blank não se vende no mercado aberto. Só o fabricante e os pontos autorizados têm acesso a ele. Para fazer uma cópia é preciso, além do blank certo, equipamento específico e, na maioria dos sistemas, apresentar um documento que prova que a chave é sua: o cartão de propriedade.
É esta segunda família que devolve a resposta à pergunta do início. Com uma chave patenteada, sabe exatamente quantas cópias existem, porque nenhuma se faz sem passar pelo cartão. Com uma chave comum, a conta é impossível de fechar.
O que é, afinal, o cartão de propriedade
Quando compra um cilindro de segurança de marca (nomes como EVVA, Mul-T-Lock, Keso ou DOM, entre outros), ele vem acompanhado das chaves e de um cartão, muitas vezes chamado cartão de propriedade ou cartão de segurança. Esse cartão é a prova de que aquele conjunto de chaves lhe pertence e traz um código associado ao seu cilindro.
A regra é simples: sem o cartão, não se faz cópia. Se um dia quiser uma chave a mais, tem de apresentar o cartão num ponto autorizado, que confirma o código e só então encomenda ou corta a cópia. Isto significa que ninguém, nem um familiar, nem alguém que lhe apanhe a chave por umas horas, consegue duplicá-la sem ter o cartão consigo. O controlo das cópias passa a estar literalmente nas suas mãos, guardado numa gaveta.
Guardar bem o cartão passa a ser tão importante como guardar a chave. Deve ficar em casa, num sítio seguro, longe do porta-chaves. Se o perder, há caminhos para o recuperar junto do fabricante, mas é um processo com burocracia, e é precisamente essa dificuldade que torna o sistema seguro.
Porque é que a cópia livre é um risco a sério
Pode parecer exagero preocupar-se com quem copia uma chave. Não é, e vale a pena perceber porquê. O risco de uma chave de cópia livre não está só num assalto de filme. Está nas situações banais do dia a dia, onde a chave sai do seu controlo por momentos e volta como se nada fosse:
- Deixou a chave de casa junto com a do carro no balcão de uma oficina, ou entregou-a a um serviço de valet. Ficou fora da sua vista o tempo suficiente para uma cópia.
- Emprestou a chave a alguém para uma tarde, para regar as plantas ou receber uma entrega. Devolveu-lha, sim. Mas se entretanto foi tirada uma cópia, você nunca vai saber.
- Um inquilino que saiu, um trabalhador que teve a chave durante uma obra, uma relação que acabou. Devolveram a chave. Não devolveram, porque não podem, as cópias que possam ter feito.
Em nenhum destes casos há necessariamente má intenção. O ponto é outro: com uma chave de cópia livre, a sua segurança depende da boa-fé de toda a gente que alguma vez teve a chave na mão. Com uma chave patenteada, deixa de depender. A cópia simplesmente não se faz sem si.
Como saber se a sua chave é copiável em qualquer quiosque
Não precisa de ser perito. Olhe para a sua chave e para o que veio com ela, e procure estes sinais:
- Veio um cartão com a chave? Se, quando puseram o cilindro, lhe entregaram um cartão de plástico com um código e o nome de uma marca, tem quase de certeza uma chave patenteada. Se nunca viu tal cartão, é sinal forte de que a chave é de cópia livre.
- A chave tem nome e um aspeto mais trabalhado? As chaves de segurança costumam trazer a marca gravada na cabeça e ter recortes menos comuns: furos redondos na superfície plana, canais laterais, um segundo nível de talhe. As chaves comuns têm o recorte clássico só na aresta, do tipo que se vê em todo o lado.
- Já lhe copiaram esta chave sem pedir nada? Se em algum momento fez uma cópia num quiosque em minutos, sem ninguém lhe pedir um cartão nem um documento, então é uma chave de cópia livre. Simples assim.
Na dúvida, a forma mais rápida de saber é trazer a chave à loja. Num relance dizemos-lhe se é de perfil restrito ou de cópia livre, e a que sistema pertence.
Vale a pena mudar para uma chave de segurança?
Com honestidade: nem toda a gente precisa, e não vamos dizer o contrário para vender um cilindro mais caro. Para muitas casas, uma chave comum bem controlada chega perfeitamente. Faz sentido pensar numa chave patenteada quando há motivos concretos para querer controlo real sobre as cópias:
- Acabou de mudar de casa e não sabe quantas chaves antigas andam por aí (situação em que, de qualquer forma, se aconselha trocar o canhão).
- Vive num prédio ou tem uma porta por onde passa muita gente, e quer a certeza de que ninguém multiplica chaves sem autorização.
- Tem um negócio, um escritório ou um espaço com funcionários, e precisa de saber com exatidão quem tem chave e de impedir cópias descontroladas.
- Simplesmente valoriza dormir descansado sabendo que a resposta à pergunta do início é um número certo, e não um "não sei".
Quando faz sentido, a mudança costuma ser mais simples do que se pensa. Na maioria das portas troca-se apenas o canhão por um cilindro de segurança de marca, sem obra e sem mexer na fechadura toda, e fica com um conjunto de chaves novas e um cartão de propriedade só seu.
Um aviso honesto: nenhum sistema é mágico
Não lhe vamos vender a ideia de que uma chave patenteada é impossível de copiar. O que ela faz, e faz muito bem, é tornar a cópia difícil, cara e controlada, ao ponto de deixar de ser um risco prático no dia a dia. Um blank restrito não se compra na esquina, o equipamento é específico e o cartão é obrigatório. Para o mundo real, isto muda tudo. A segurança nunca é um absoluto; é sempre uma questão de pôr obstáculos suficientes para que não valha a pena. Uma boa chave de segurança faz exatamente isso.
Em resumo
Há duas famílias de chaves: as de cópia livre, que qualquer pessoa duplica em qualquer quiosque sem lhe pedir nada, e as de segurança patenteada, que só se copiam com o cartão de propriedade na mão. Com as primeiras, nunca sabe quantas cópias existem. Com as segundas, o controlo é seu. Para saber em que grupo está a sua, veja se recebeu um cartão com o cilindro, olhe para o feitio da chave, e lembre-se se alguma vez a copiaram sem lhe pedirem um documento. E se quiser passar a ter essa conta a zero, na maioria das portas basta trocar o canhão.
A loja está aberta no Centro Comercial Newark, em Matosinhos. Traga a sua chave e, em segundos, dizemos-lhe se é de cópia livre ou de perfil restrito, e se vale a pena, no seu caso, passar para uma chave de segurança com cartão de propriedade. Sem o empurrar para o modelo mais caro. Loja: 223 270 636. Urgência: 919 155 649.
